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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

   Entristece-me profundamente saber que existem pais que se debatem com um dilema terrivel e não falo de pais que vivem em Africa, ou noutra realidade longe da nossa, porque esses que merecem, igualmente,o nosso carinho, compreensão ou compaixão, por estarem longe de nós, infelizmente, estão muitas vezes, mais facilmente e cruelmente, longe do coração... 
   Falo agora da nossa vizinha do lado, aquela que se cruza connosco na escada, nos abre a porta do predio, ou segura o elevador quando nos vê chegar... Falo do nosso vizinho, que já nos ajudou a empurrar o carro porque não pegava de manhã e tinha os cabos da bateria, aquele que já nos ajudou com os sacos das compras... Falo de gente comum, como nós, que vivem realidades iguais às nossas, que são pais, que como nós, só querem o melhor para os filhos...
   São pais que, neste momento, não têm como sustentar os filhos, não porque não querem trabalhar, mas porque perderam os empregos e o chão resolveu-lhes fugir...
São mães que, de coração apertado, lágrimas a perfumarem-lhes os olhos, que em sofrimento profundo, acrescentam mais água aos biberões dos filhos para a lata de leite render mais uma semana, ou dão leite de vaca a bebés de meses, não por negligência, mas porque não têm alternativas e as ajudas não chegam, ou tardam demasiado...
São pais que deram a primeira dose da vacina Prevenar 13, que lhes custou cerca de 70 euros e agora não podem dar a segunda, nem a terceira, apesar das enfermeiras no centro de Saúde alertarem que é perigoso interromper...
São pais que o estado prejudica, esquece, ignora...
São pais que amanhã podemos ser nós.

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